Este artigo aprofunda um tema de Visitas a imóveis.
Visitas virtuais (vídeos gravados, passeios em 360 graus ou chamadas de vídeo ao vivo dentro do imóvel) ampliaram o alcance do atendimento. Elas ajudam compradores de outras cidades, decisores que não podem ir à visita e clientes que querem descartar opções antes de se deslocar. Mas têm limites claros, e usá-las sem critério pode gerar expectativas erradas. O roteiro da visita presencial está no pilar visitas a imóveis.
Para que a visita virtual serve
- Pré-seleção. Mostrar a distribuição dos ambientes, a luz e o estado geral para que o cliente decida se vale a visita presencial.
- Atendimento à distância. Compradores que estão em outra cidade podem acompanhar uma chamada de vídeo. O atendimento completo a esse perfil está em atendimento a compradores de outras cidades.
- Inclusão de decisores ausentes. Um familiar que não pôde ir à visita acompanha pela chamada, o que nivela a informação do grupo. Veja visitas com mais de um decisor.
- Revisão de detalhes. Depois de uma visita presencial, o cliente pode pedir para rever um ambiente específico.
O que ela não substitui
Imagem não transmite tudo. Ruído da rua, cheiro, umidade, sensação de espaço, posição real do sol ao longo do dia, estado de acabamentos vistos de perto e a vizinhança do entorno raramente aparecem bem em vídeo. Por isso, antes de formalizar uma proposta, a regra prudente é que o comprador, ou alguém de sua confiança, conheça o imóvel pessoalmente. Quando o cliente decide avançar sem visita presencial, registre essa escolha e as informações que foram passadas a ele.
O dever de informar também se aplica aqui: o art. 723 do Código Civil exige do corretor diligência e esclarecimentos sobre o negócio. Uma imagem que esconde um problema conhecido não cumpre esse papel. Pendências e pontos de atenção devem ser ditos, como descrito em o que o corretor deve saber sobre o imóvel antes da visita.
Chamada de vídeo ao vivo: como conduzir
- Combine com o proprietário ou morador o dia, o horário e o fato de que haverá transmissão.
- Teste a conexão no imóvel. Sinal fraco em alguns ambientes interrompe a chamada.
- Siga um roteiro, do acesso aos ambientes, na ordem em que uma pessoa percorreria o imóvel.
- Mostre o que o cliente pede, inclusive janelas, vista, áreas molhadas e detalhes de conservação.
- Narre o que a câmera não mostra bem: ruído, ventilação, sensação de tamanho.
- Registre as perguntas e observações do cliente ao final, como em qualquer visita. Veja o que registrar depois da visita.
Imagem de moradores e objetos pessoais
Em imóveis ocupados, a câmera pode captar pessoas, fotografias de família, documentos e objetos pessoais. O art. 20 do Código Civil prevê que a utilização da imagem de uma pessoa pode ser proibida, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização cabível, se lhe atingir a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinar a fins comerciais, salvo se autorizada. Por isso:
- combine que moradores não apareçam ou que autorizem a gravação;
- evite enquadrar documentos, telas de computador, correspondências e fotografias pessoais;
- em imóvel alugado, a visita depende do combinado com o inquilino; veja visita a imóvel ocupado por inquilino;
- não grave a chamada sem avisar os participantes.
Gravações e chamadas também envolvem dados pessoais do cliente e de terceiros. Os cuidados de armazenamento e compartilhamento estão em LGPD na rotina do corretor.
Vídeo gravado ou chamada ao vivo
| Formato | Vantagem | Limite |
|---|---|---|
| Vídeo gravado | Pode ser enviado a vários interessados; o cliente assiste quando quiser. | Não responde perguntas; pode ficar desatualizado se o imóvel mudar. |
| Chamada ao vivo | O cliente conduz o que quer ver e pergunta na hora. | Depende de agenda, conexão e presença do corretor no imóvel. |
A produção de vídeos para divulgação, com gravação e edição, está em vídeos de imóveis.
Quando não usar
- Quando o morador não concorda com a transmissão ou gravação.
- Quando o estado do imóvel exige avaliação presencial para não induzir o cliente a erro.
- Como substituto da visita de quem vai assinar a proposta, sem que essa escolha esteja clara e registrada.
Exemplo
Exemplo hipotético. Um comprador mora em outra cidade e selecionou três apartamentos pelos anúncios. O corretor faz chamadas de vídeo nos três, com autorização dos proprietários, e mostra os pontos que o cliente pediu. Dois são descartados. O cliente viaja para conhecer pessoalmente o terceiro antes de fazer a proposta. A chamada evitou duas viagens, mas a decisão final foi tomada com a visita presencial.