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Divergências entre comprador e vendedor: o papel do corretor

Como o corretor conduz divergências entre comprador e vendedor sobre preço, prazos, documentos e condições, com informação, registro e sem pressionar ninguém.

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Indicado para: Corretor em atividade

Este artigo aprofunda um tema de Proposta de compra de imóvel.

Divergência entre comprador e vendedor não é sinal de negócio perdido. Ela aparece em quase toda negociação, antes ou depois do aceite da proposta, e costuma ter origem em expectativas que não ficaram claras no começo. O que define o resultado é a forma como o corretor conduz o problema: com informação, registro e equilíbrio entre as partes.

Elas surgem tanto durante a negociação quanto na fase entre o aceite e a escritura. A estrutura da proposta está no pilar proposta de compra de imóvel, e a troca de condições em rodadas está em contraproposta.

Onde as divergências costumam aparecer

  • Preço e condições: uma parte entendeu um valor ou uma forma de pagamento diferente do que a outra pretendia.
  • Prazos: data da escritura, da liberação do financiamento ou da entrega das chaves. O tema é aprofundado em negociação de prazo e forma de pagamento.
  • O que fica no imóvel: armários, luminárias, eletrodomésticos e equipamentos que uma parte considerava incluídos e a outra não.
  • Estado do imóvel: defeitos percebidos depois da visita ou na vistoria antes da entrega.
  • Documentação: pendências que surgem na conferência de certidões e da matrícula.
  • Sinal e desistência: dúvidas sobre o que acontece com o valor pago se uma das partes desistir. Veja sinal e arras.

O que o Código Civil espera do corretor

O art. 723 do Código Civil determina que o corretor execute a mediação com diligência e prudência e preste ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio. O parágrafo único acrescenta que ele deve prestar esclarecimentos sobre a segurança ou o risco do negócio, as alterações de valores e outros fatores que possam influir no resultado.

Por isso, uma divergência não pode ser escondida de uma das partes, nem administrada com informações parciais para "salvar" o negócio. O corretor informa o que sabe, aponta os riscos que conhece e deixa a decisão com quem tem o direito de decidir.

Como conduzir uma divergência

  1. Separe o fato da interpretação. Antes de levar a questão à outra parte, entenda exatamente o que aconteceu: o que foi dito, o que foi escrito, o que cada um esperava.
  2. Volte ao documento. A proposta aceita, a autorização de venda e as mensagens trocadas são a referência. Se o ponto estava escrito, a conversa parte dele. Se não estava, reconheça que faltou definição.
  3. Leve a informação às duas partes. Cada parte precisa conhecer a posição da outra, com o mesmo nível de detalhe.
  4. Apresente alternativas, não decisões. Ajustar um prazo, compensar um item que sai do imóvel com uma diferença no preço, dividir um custo. Quem escolhe são as partes.
  5. Defina prazo para a resposta. Divergências sem prazo se arrastam e contaminam o restante do negócio.
  6. Registre o que for acordado. Um ajuste combinado por telefone precisa voltar por escrito para as duas partes, e entrar no contrato quando for o caso. Veja do aceite da proposta ao contrato.
SituaçãoPergunta a esclarecerO que registrar
Item que uma parte achava incluídoO item constava na proposta ou no anúncio?Lista final do que permanece no imóvel
Atraso na liberação do financiamentoQual o prazo previsto e o que a proposta dizia sobre atraso?Novo prazo aceito pelas duas partes
Defeito encontrado na vistoriaO defeito era visível ou informado antes do aceite?Descrição do problema e solução combinada
Pendência documentalQuem resolve, em quanto tempo e com que custo?Responsável e prazo da regularização

Exemplo hipotético

Em um caso hipotético, o comprador entende que os armários planejados da cozinha fazem parte da venda; o vendedor pretende levá-los. A proposta aceita não menciona os armários, mas o anúncio mostrava fotos da cozinha montada. O corretor relata a situação às duas partes, mostra o que estava escrito e o que não estava, e apresenta caminhos: os armários ficam, saem com ajuste de preço, ou saem sem ajuste se o comprador concordar. A decisão tomada é registrada por escrito e incluída no contrato.

O exemplo mostra uma regra útil para os próximos negócios: o que permanece no imóvel deve constar da proposta desde o início.

Limites da atuação do corretor

  • Não decidir pelas partes. O corretor orienta; quem cede ou mantém a posição é o comprador ou o vendedor.
  • Não pressionar. Prazos artificiais, ameaças de perder o negócio ou informações incompletas comprometem a confiança e a ética profissional. Veja ética profissional na corretagem.
  • Não interpretar cláusulas como advogado. Quando a divergência envolve o sentido jurídico de uma cláusula, multa, rescisão ou devolução de valores, o caminho é a orientação de um advogado.
  • Não esconder informação. Uma divergência resolvida para uma parte e omitida da outra tende a voltar maior, às vezes depois da escritura.

Como prevenir

Boa parte das divergências nasce de pontos que poderiam ter sido definidos na proposta: itens que ficam, datas, condição de financiamento, responsabilidade por débitos e por pendências documentais. Quando há mais de uma pessoa decidindo de cada lado, alinhar todos antes do aceite evita mudanças de posição depois. Veja visitas com famílias e mais de um decisor.

Erros comuns

  • Transmitir a posição de uma parte de forma suavizada ou exagerada.
  • Combinar ajustes por mensagem de voz e não formalizar.
  • Tomar partido de quem paga a comissão.
  • Deixar uma divergência sem prazo enquanto o restante do negócio avança.

Fontes e referências

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