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Entrevista inicial com o proprietário: o que perguntar e registrar

Roteiro da primeira conversa com o proprietário: motivação, titulares, situação do imóvel, documentos, histórico de anúncio, preço esperado e o que registrar.

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Indicado para: Corretor iniciante

Este artigo aprofunda um tema de Captação de imóveis.

A primeira conversa com o proprietário define o restante da captação. É nela que o corretor descobre por que o imóvel está à venda, quem decide, em que situação está a documentação e o que o proprietário espera do preço e do trabalho de intermediação. Quem pula essa etapa e vai direto ao valor costuma descobrir os problemas tarde, quando já existe um comprador interessado.

A seguir, o roteiro dessa entrevista, bloco por bloco. A visão geral do processo, da origem das oportunidades à exclusividade, está no artigo sobre captação de imóveis.

Entrevista e visita de captação não são a mesma coisa

A entrevista pode acontecer por telefone, por vídeo ou no próprio imóvel, e tem como objetivo entender a situação do proprietário e do negócio. A visita de captação é o levantamento das características físicas do imóvel. Muitas vezes as duas acontecem no mesmo encontro, mas convém tratá-las como etapas distintas: primeiro entender, depois medir, fotografar e descrever.

Antes da conversa

  • Verifique se o imóvel já aparece anunciado, por quem, há quanto tempo e por qual valor.
  • Conheça a região: imóveis semelhantes à venda e negócios recentes de que você tenha notícia.
  • Combine a conversa, sempre que possível, com todos os que decidem sobre a venda.
  • Leve o roteiro escrito. Ele evita esquecer perguntas importantes quando a conversa toma outro rumo.

Roteiro da entrevista

1. Motivação e prazo

  • Por que o imóvel está à venda?
  • Existe prazo para vender? O que acontece se a venda demorar?
  • A venda depende da compra de outro imóvel ou de outro acontecimento?
  • O que pretende fazer com o valor recebido?

A motivação explica o comportamento do proprietário na negociação. Quem precisa do dinheiro para comprar outro imóvel tem prazo e costuma ser mais flexível; quem está apenas testando o mercado tende a resistir a ajustes de preço. Nenhuma das situações é um problema, desde que o corretor saiba com qual delas está lidando.

2. Titularidade e decisores

  • Quem consta como proprietário na matrícula?
  • Algum dos proprietários é casado ou vive em união estável? Qual o regime de bens?
  • Há herdeiros, inventário em andamento ou imóvel em nome de pessoa falecida?
  • O imóvel pertence a uma empresa? Quem tem poderes para representá-la?
  • Algum titular mora fora ou será representado por procuração?

Essas perguntas não são formalidade. O Código Civil (art. 1.647, I) estabelece que, salvo no regime da separação absoluta, nenhum dos cônjuges pode alienar bens imóveis sem autorização do outro, ressalvado o art. 1.648. Saber desde o início quem precisa assinar evita que a negociação avance com quem não pode, sozinho, concluir a venda.

3. Situação do imóvel

  • O imóvel está ocupado pelo proprietário, por inquilino, por terceiros ou vazio?
  • Se houver inquilino: existe contrato de locação vigente? Até quando?
  • Houve reformas ou ampliações? Foram aprovadas e averbadas na matrícula?
  • Há problemas conhecidos (infiltração, instalações, pendências de obra)?
  • O que acompanha o imóvel na venda (armários, equipamentos, vagas, depósito)?

A ocupação por inquilino merece atenção especial. A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991, art. 27) garante ao locatário preferência para adquirir o imóvel locado em caso de venda, em igualdade de condições com terceiros, e determina que o locador lhe dê conhecimento do negócio. Isso afeta o prazo e a forma de conduzir a venda, e precisa ser conhecido desde a captação.

4. Documentação e situação financeira

  • A matrícula está atualizada? O proprietário tem cópia recente?
  • O imóvel está financiado ou dado em garantia? Qual o saldo aproximado?
  • IPTU e condomínio estão em dia?
  • Há processos, penhoras ou outras restrições de que o proprietário tenha conhecimento?
  • A escritura e o registro da compra anterior foram concluídos?

O proprietário nem sempre sabe responder tudo na hora. O importante é registrar o que é informação confirmada por documento e o que é declaração verbal, e combinar quais documentos ele vai providenciar.

5. Histórico de comercialização

  • O imóvel já foi anunciado? Por quanto tempo, por qual valor e por quem?
  • Recebeu visitas? Recebeu propostas? Por que não avançaram?
  • Existe autorização vigente com outro corretor ou imobiliária, com ou sem exclusividade?

O histórico revela muito sobre o preço e sobre o imóvel. Propostas recusadas mostram o que o mercado já ofereceu. Uma autorização vigente com exclusividade para outro profissional precisa ser esclarecida antes de qualquer divulgação.

6. Expectativa de preço e condições

  • Quanto espera receber? Como chegou a esse valor?
  • Aceita financiamento bancário, uso de FGTS, permuta ou parcelamento?
  • Qual o prazo para desocupação após a venda?

Nesta etapa o objetivo é ouvir e registrar, não discutir. A sugestão de preço deve vir depois da pesquisa, como explicado em preço de mercado. Responder com um número na primeira conversa, sem pesquisa, compromete a credibilidade do trabalho.

7. Expectativas sobre o trabalho do corretor

  • Com que frequência quer receber notícias sobre a comercialização?
  • Quem acompanha as visitas? Onde ficam as chaves? Há horários restritos?
  • Autoriza fotos, vídeo, placa e divulgação em portais e redes?
  • Há informações que não devem ser divulgadas, como o endereço exato?

O que registrar

Registre a entrevista no mesmo dia, em planilha ou sistema de gestão de clientes, separando o que foi informado verbalmente do que foi confirmado por documento.

CampoExemplo de registro
Titulares e estado civilDois proprietários, casados entre si; regime de bens a confirmar na certidão.
Motivação e prazoMudança de cidade; pretende vender em até seis meses.
OcupaçãoInquilino com contrato até março; locatário ainda não comunicado.
DocumentaçãoMatrícula a solicitar; ampliação da varanda não averbada (informação verbal).
HistóricoAnunciado por conta própria há quatro meses; duas visitas, nenhuma proposta.
ExpectativaValor desejado informado; aceita financiamento; não aceita permuta.
Próximo passoVisita de levantamento na quinta-feira; proprietário enviará a matrícula.

Os exemplos acima são hipotéticos. Como a entrevista envolve dados pessoais, guarde as informações com segurança e apenas pelo tempo necessário, conforme explicado em LGPD na rotina do corretor.

Como conduzir a conversa

  • Ouça mais do que fala. Perguntas abertas trazem informações que um questionário fechado não traria.
  • Explique por que pergunta. Perguntas sobre estado civil, financiamento ou inventário podem parecer invasivas se o proprietário não entender a finalidade.
  • Não prometa preço nem prazo de venda. Diga quando vai apresentar a pesquisa.
  • Não critique o imóvel. Registre pontos de atenção e trate deles com dados, no momento certo.
  • Feche com próximos passos. Documentos a enviar, data da visita de levantamento e data da apresentação da pesquisa.

Erros comuns

  • Conversar só com um dos proprietários e descobrir depois que outro não concorda com a venda.
  • Não perguntar sobre inquilino, financiamento ou inventário.
  • Confiar apenas na informação verbal sobre área e documentação.
  • Assumir que o imóvel não está com outro profissional.
  • Discutir preço antes de conhecer o imóvel e o mercado.
  • Não registrar a conversa e perder detalhes nas semanas seguintes.

Depois da entrevista

Com as informações organizadas, os passos seguintes são a visita de levantamento, a pesquisa de mercado e a formalização. Quando o proprietário decidir contratar, as condições combinadas devem constar da autorização de venda, que é o documento que permite ao corretor anunciar o imóvel.

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Fontes e referências

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