Este artigo aprofunda um tema de Desenvolvimento profissional do corretor de imóveis.
Um negócio imobiliário raramente envolve apenas comprador, vendedor e corretor. Até a escritura e o registro, participam profissionais com funções e responsabilidades próprias. Conhecer o papel de cada um permite ao corretor orientar o cliente, prever etapas e, principalmente, reconhecer os limites da própria atuação. A visão geral da carreira está em desenvolvimento profissional do corretor de imóveis.
Quem participa de um negócio imobiliário
| Profissional ou serviço | Papel no negócio | O que o corretor faz em relação a ele |
|---|---|---|
| Tabelionato de notas | Lavra a escritura pública e outros atos notariais | Informa as partes sobre a documentação, ajuda a agendar e acompanha |
| Registro de imóveis | Registra a transmissão e mantém a matrícula | Orienta sobre a necessidade do registro e acompanha o andamento |
| Advogado | Analisa riscos jurídicos, redige e revisa contratos, atua em inventários e conflitos | Indica a necessidade de análise jurídica e não substitui o advogado |
| Correspondente bancário | Atua em nome de instituição financeira no encaminhamento de propostas de crédito | Repassa informações do comprador com autorização e acompanha prazos |
| Despachante | Executa serviços de obtenção de certidões, guias e trâmites documentais | Combina o escopo e os prazos e confere o que foi entregue |
| Engenheiro ou arquiteto | Vistorias técnicas, regularização de obras, projetos e laudos técnicos | Recomenda a avaliação técnica quando há dúvida sobre construção ou regularidade |
| Contador | Orienta sobre tributos das partes e do próprio corretor | Encaminha as dúvidas tributárias, sem dar parecer próprio |
| Outros corretores | Parcerias na captação ou no atendimento | Combina e formaliza funções e divisão da comissão |
Os limites da atuação do corretor
A Lei nº 6.530/1978 atribui ao corretor a intermediação e a possibilidade de opinar quanto à comercialização imobiliária. Isso não inclui atividades privativas de outras profissões. Na prática:
- O corretor não dá parecer jurídico. Pode explicar etapas e documentos de forma geral, mas a análise de riscos jurídicos de um caso concreto, a redação de contratos complexos e a atuação em inventários e disputas são do advogado.
- O corretor não decide sobre crédito. A aprovação de financiamento é da instituição financeira; o corretor organiza informações e acompanha prazos.
- O corretor não emite laudo técnico de engenharia. Pode observar problemas aparentes e recomendar a vistoria de um profissional habilitado.
- O corretor não substitui o cartório. Escritura e registro seguem os procedimentos e exigências de cada serventia.
Os limites da profissão estão detalhados em o que faz um corretor de imóveis.
Advogados
Sugerir a análise de um advogado não é sinal de insegurança do corretor, e sim de cuidado com o cliente. Situações em que a recomendação é especialmente importante:
- imóvel em inventário ou com herdeiros (veja venda de imóvel em inventário);
- pendências documentais relevantes na matrícula;
- parcelamento direto com o vendedor ou condições de pagamento incomuns;
- partes com restrições judiciais, ações ou dívidas que possam afetar o negócio;
- contratos com cláusulas fora do padrão.
Quando o cliente já tem advogado, mantenha a comunicação organizada: envie documentos completos, registre as orientações recebidas e não tome decisões em nome do cliente.
Correspondentes bancários e instituições financeiras
Em negócios com financiamento, o corretor convive com prazos de análise de crédito, avaliação do imóvel pela instituição e exigências documentais próprias. Pontos de atenção:
- compartilhe dados pessoais do comprador apenas com autorização e somente o necessário (veja LGPD na rotina do corretor);
- não prometa aprovação nem condições de crédito ao cliente;
- registre as datas de cada etapa para informar vendedor e comprador com precisão.
As etapas gerais do financiamento estão em financiamento imobiliário para corretores.
Cartórios
Tabelionatos e registros de imóveis têm exigências que variam conforme o estado, a serventia e o tipo de ato. Algumas práticas ajudam:
- consultar previamente a lista de documentos para a escritura e para o registro;
- conferir certidões com antecedência, considerando os prazos de validade (veja certidões online);
- acompanhar exigências formuladas pelo registro e informar as partes rapidamente.
As etapas finais estão em escritura e registro, e os serviços digitais em serviços eletrônicos de registro de imóveis.
Despachantes
O despachante pode cuidar da obtenção de certidões, emissão de guias e acompanhamento de trâmites. Antes de contratar ou indicar, combine por escrito o escopo, os prazos e quem paga. Confira tudo o que for entregue: a responsabilidade de orientar as partes sobre a documentação continua sendo do corretor no que diz respeito à intermediação.
Como construir uma rede profissional confiável
- Avalie pelo trabalho realizado: prazos cumpridos, clareza na comunicação e qualidade das orientações.
- Mantenha mais de uma opção: depender de um único profissional cria gargalos.
- Deixe a escolha com o cliente: indicar profissionais é útil, mas a contratação é decisão do cliente.
- Seja transparente sobre vínculos: se houver qualquer relação comercial com um profissional indicado, informe o cliente.
- Registre os contatos e o histórico: quem atendeu, em quais negócios e como foi o resultado.
Reputação construída em rede
Profissionais que trabalham bem juntos se recomendam. O corretor que entrega documentação organizada, informa com precisão e respeita o papel de cada um passa a ser lembrado também por advogados, correspondentes e cartórios. O tema está em como a reputação profissional se constrói na corretagem. Entre corretores, as regras de cooperação estão em parcerias entre corretores.